quarta-feira, 1 de maio de 2013

FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - DESPACHO DA PRESIDENTA - 29/04/2013 (ÍNDIOS GUARANIS DO JARAGUÁ TÊM OS LIMITES DE SUAS TERRAS RECONHECIDAS PELA FUNAI)

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO
Seção 1 - No. 82, terça-feira, 30 de abril de 2013, p. 52
FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO - DESPACHO DA PRESIDENTA - 29/04/2013,

http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=52&data=30/04/2013

FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO


DESPACHO DA PRESIDENTA

Em 29 de abril de 2013

No- 544 - A PRESIDENTA DA FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO

- FUNAI, em conformidade com o § 7º do art. 2º do Decreto

1775/96, tendo em vista o Processo FUNAI/BSB nº 08620-

000726/2004-99 e considerando o Resumo do Relatório Circunstanciado

de Identificação e Delimitação de autoria do antropólogo Spensy

Kmitta Pimentel, que acolhe, face às razões e justificativas apresentadas,

decide aprovar as conclusões objeto do citado resumo para,

afinal, reconhecer os estudos de identificação e delimitação da Terra

Indígena Jaraguá, de ocupação do povo indígena Guarani, localizada

nos municípios de São Paulo e Osasco, Estado de São Paulo.

MARTA MARIA DO AMARAL AZEVEDO

ANEXO

RESUMO DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO DE IDENTIFICAÇÃO

E DELIMITAÇÃO DA TERRA INDÍGENA JARAGUÁ

Referência: Processo FUNAI n.º 08620-000726/2004-99. Terra Indígena:

Jaraguá. Municípios: São Paulo e Osasco. Estado: São Paulo.

Superfície aproximada: 532 ha.Perímetro aproximado: 20km. Povo

Indígena: Guarani. Família Linguística: Tupi-Guarani. População: 583

pessoas (em dezembro de 2009). Identificação e Delimitação: Grupo

Técnico constituído por meio das Portarias FUNAI nº 659 de

30/06/2009, 1178 de 28/09/2009; nº 1461 de 03/12/2009; nº 472 de

06/04/2010; nº 527 de 13/04/2010; nº 1806 de 27/11/2010 e nº

1572/2011; nº 1415 de 09/11/2012 e nº 1485 de 19/11/2012. Antropólogo-

Coordenador: Spensy Kmitta Pimentel.

I-DADOS GERAIS

A Terra Indígena Jaraguá é habitada por indígenas da etnia

Guarani, historicamente formada tanto por grupos pertencentes à parcialidade

falante do dialeto Mbya como à parcialidade falante do

dialeto Nhandeva (ou Xiripa). Do ponto de vista da filiação linguística,

a maioria da população da TI é falante do dialeto Mbya,

havendo também famílias falantes do dialeto Nhandeva ou Xiripa e

também alguns falantes do dialeto Kaiowa. Do ponto de vista da

filiação cultural, embora possam ser de fato reconhecidas distintas

tradições culturais correspondentes a cada um desses três subgrupos

linguísticos, a regra é o intercâmbio e a circularidade de informações,

práticas e bens entre esses grupos, testemunhadas por intenso intercâmbio

ritual. Esses dialetos guarani fazem parte da família linguística

Tupi-Guarani, integrante do tronco Tupi. Os Guarani das

regiões sul e sudeste do Brasil totalizam cerca de 10,5 mil indivíduos

que formam uma intensa rede ligada por laços de parentesco, trocas

de bens e xamanismo; eles se distribuem atualmente em cerca de 150

localidades nos Estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná,

Rio de Janeiro e Espírito Santo. Na TI Jaraguá viviam, em

dezembro de 2009, 583 pessoas. O conceito utilizado pelos Mbya

para designar seu território de ocupação é Yvy Rupa. Esse termo,

polissêmico, pode ser traduzido literalmente como "suporte (ou plataforma)

terrestre", e abrange toda a extensão do território onde os

Guarani estabelecem ou consideram possível estabelecer suas aldeias.

Os critérios de dispersão dos assentamentos guarani ao longo desse

grande território respondem a fatores cosmológicos, sociológicos,

ecológicos e históricos. Conforme registrado em numerosas pesquisas

historiográficas e arqueológicas, no momento da Conquista o território

de ocupação dos povos guarani se estendia desde a região do

atual Paraguai, passando pela região de Misiones (atual Argentina)

até o litoral brasileiro, onde se sobrepunha ao território de ocupação

de outros grupos falantes de dialetos Tupi. Entretanto, as fronteiras

entre os territórios de ocupação dos grupos guarani e tupi eram

extremamente fluidas e dinâmicas. Considera-se que os Guarani ocupavam

a parte meridional do atual Estado de São Paulo no momento

da Conquista, tendo entretanto se tornado o grupo indígena majoritário

da então Capitania de São Vicente desde o segundo quartel

do século XVII, por conta das expedições de captura de cativos

guarani, realizadas pelos bandeirantes paulistas. Do ponto de vista

simbólico, é fundamental para os Guarani a circulação entre a região

que concebem como o centro do mundo (yvy mbyte) e que corresponde

à tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai, Argentina e a

região que concebem como a extremidade do mundo (yvy apy) e que

coincide com toda a mata atlântica litorânea. Esse movimento entre

interior e litoral é registrado desde a Conquista em documentos históricos

que retratam o chamado "caminho do Peabiru", até os célebres

movimentos proféticos em busca da chamada "terra sem mal", estudados

pelo importante etnólogo Curt Nimuendaju. A TI Jaraguá

localiza-se na bacia do Tietê e sempre se constituiu como ponto

importante na passagem de grupos que se deslocavam ao litoral,

como é o caso do grupo interceptado por Nimuendaju no início do

século XX, às margens desse rio. Essas trajetórias 'imitam' o percurso

realizado pelos ancestrais míticos, Kuaray e Jaxy, que criaram a

plataforma terrestre e por isso são concebidas como responsáveis pela

manutenção do próprio mundo; neste sentido, o território tem papel

crucial para a existência dos Guarani como povo culturalmente diferenciado.

II- HABITAÇÃO PERMANENTE

A documentação histórica indica que a TI Jaraguá é formada

por terras vinculadas ao antigo aldeamento de Barueri (século XVII).

A análise da documentação do antigo Serviço de Proteção dos Índios

(SPI) demonstra que o próprio órgão indigenista desempenhou papel

decisivo no esbulho praticado contra os Guarani na primeira metade

do século XX, quando buscavam permanecer nas aldeias próximas ao

litoral, negando-se a se deslocar de maneira forçada à Povoação do

Araribá, no interior do Estado, tal como pretendia o governo de então.

A mesma documentação exprime o fracasso desse intento por conta

da persistência dos Guarani em manterem suas aldeias no litoral,

ÍNDIOS GUARANI DO JARAGUÁ TÊM OS LIMITES DE SUAS TERRAS RECONHECIDOS PELA FUNAI




30/04/2013


Foi publicado hoje, dia 30 de abril de 2013, o Despacho n° 544 da Presidência da Funai aprovando os estudos de identificação e delimitação da TI Jaraguá, situada nos Municípios de São Paulo e Osasco.

A nova identificação visa garantir aos Guarani do Jaraguá as condições as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições como garante a Constituição Federal.

Até então, a TI Jaraguá tinha apenas 1,76 ha de extensão, sendo a menor terra indígena demarcada no Brasil. O novo estudo identificou uma área de 532 hectares para uma população de 583 índios Guarani Mbya e Tupi-Guarani

Conheça mais sobre os indígenas do Estado de São Paulo!

Você sabem onde ficam as Terras Indígenas do Estado? Veja aqui


http://www.cpisp.org.br/indios/html/noticia/72/indios-guarani-jaragua-tem-os-limites-suas-terras-reconhecidos-pela-funai.aspx