segunda-feira, 26 de março de 2012

Djedjokó

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Aldeia Rio Silveira em Boracéia, perde o líder do povo tupi-guarani – o cacique e pajé Djedjokó (Samuel Bento)
Posted by Carlos Valimon 8 de março de 2012in Notícias|0 Comment


Na memória: Cacique e Pajé Samuel Bento Awa Djedjokó, da aldeia Rio Silveira, em Boracéia (Foto: Carlos Valim / 1988)

O prefeito de Bertioga recebeu, emocionado, a notícia da morte do cacique e pajé Samuel Bento Awa Djedjokó, da aldeia Rio Silveira, em Boracéia, uma das principais lideranças do povo tupi-guarani em São Paulo. Djedjokó morreu na noite do dia 09, no estado de Santa Catarina, onde estava a passeio, vítima de uma Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ele foi sepultado, no ancestral cemitério indígena próximo ao Rio Silveira


Lamentando a grande perda, o prefeito ressaltou o empenho e a luta constante de Djedjokó pela preservação e fortalecimento da cultura e identidade do povo indígena tupi-guarani ao longo dos seus 74 anos de vida, lembrando que no seu primeiro mandato, logo após a emancipação de Bertioga, Djedjokó esteve ao seu lado empenhado na luta para que os índios da Aldeia Rio Silveira fossem reconhecidos como cidadãos e que pudessem obter sua Carteira de Identidade (RG).


O filho do cacique, Carlos Papa Mirim Poty lembra que, na ocasião, Djedjokó se dedicou a essa luta e foi até Brasília reivindicar esse direito a 62 pessoas da aldeia, e provar para os órgãos federais que aquela era uma comunidade indígena. “Sem sucesso, meu pai recorreu ao então prefeito, que na época nos ajudou nessa conquista. Fomos os primeiros índios do País a ter o RG”.


Papa lembra emocionado da luta do pai pela identidade cultural de seu povo e agradece à Prefeitura pelo apoio as suas reivindicações. Entre elas está a criação do Centro Cultural Indígena, que será construído próximo à aldeia e que a comunidade solicita que leve o nome de Awa Djedjokó. A iniciativa tem todo apoio do prefeito, que entende ser essa uma justa homenagem àquele que dedicou anos de sua vida lutando pelo seu povo.


Papá Mirim Poty, como é chamado por seu povo, um dos filhos de Dejdjokó, fez o seguinte depoimento, no qual transmite a beleza e a lucidez da visão de mundo que aprendeu com seu pai:


“Força! Viva Tupi-Guarani! Assim a gente vai sobrevivendo. Não importa o que acontecer. Nós estamos aqui sempre e forte. Nós acreditamos que um dia de felicidade, um dia sem dor, virá. E nós, seres humanos, estamos aqui para presenciar todas as coisas que vierem. E mesmo assim nós temos que ter força e coragem para poder encarar o nosso mundo. Então, povo, você que é povo, vamos lutar! Pelo mesmo ideal. Pela mesma liberdade. Pelos nossos direitos. Respeitem-nos, e assim nós respeitamos vocês.


Nós demos todo o mundo. Oferecemos o melhor. Quando os portugueses chegaram, a gente teve hospitalidade, oferecemos hospitalidade. Maior carinho. É isso que a gente queria. Queremos o respeito. E assim, respeitaremos vocês. Em nome do Awa Djedjokó, que é meu pai e não esta mais aqui entre nós.


Meu pai descanse em paz. Hoje você está no outro mundo. No mundo que Ñanderu preparou para você. Com certeza vai dar força para nos todos, e vai estar sempre junto da gente, lutando com os mesmos ideais. Embora haja dor e sofrimento a luta continua! E seguiremos caminhando, sonhando e acreditando que é possível mudar!!!

Assim é nossa Filosofia!

Assim é nosso modo de ser!

Assim aprendi com meu pai, grande Awá Djedjokó!

E assim seguirei rezando, cantando e me comunicando com Tupã e os seres sagrados da floresta, em busca de equilíbrio com todas as formas de vida, com todos os irmãos e irmãs dessa Terra, independente de sua raça, cor, pensamento…

Assim foi ensinado por Ñanderu e Ñandexy desde os princípios…

E assim me ensinou meu Pai!

“E a ti agradeço e sigo suas pegadas…”



Fotos: Carlos Valim (Arquivo da Folha do Litoral Norte do dia 21 de abril de 1988)


Nota da redação:


Carlos Valim, presidente (voluntario) do Movimento da Cidadania e diretor de redação (voluntario) do Jornal Folha do Litoral Norte, relembra momentos felizes junto com o Cacique e Pagé, Samuel, Carlos e todos os amigos da comunidade do Rio Silveira na festa do Dia do Índio de 1988 em Boracéia.


Carlos Valim

Comentário:

Paulo Marques Viana

25/12/2011 at 11:24


Lamentável… Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente. Foi um lutador e um valoroso conquistador dos direitos dos Guaranis. Graças a seus esforços, divididos com irmãos de raça a Aldeia do Rio Silveira não se acabou. São 8.500 hectares conquistados. Seu exemplo deverá ser seguido

por todos nós.

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